Como (e quando) recuperar a vida social depois de ser mãe
Não existe uma data oficial para voltar a combinar programas com os seus amigos. Os primeiros dias e semanas são marcados pela sua própria recuperação física, pela adaptação de toda a família à nova situação e pelas necessidades do recém-nascido. Dependendo de ter tido um parto vaginal ou uma cesariana, de a amamentação já estar estabelecida ou de outras circunstâncias, poderá sentir-se com mais ou menos forças e vontade de sair de casa.
Além disso, durante os primeiros meses, o sono do bebé é ainda bastante irregular: os recém-nascidos podem acordar várias vezes (a cada uma a três horas) e o ritmo de sono só costuma regularizar-se aproximadamente aos seis meses. Ou seja, durante este período nunca sabe muito bem com o que pode contar, pelo que o ideal é levar o bebé consigo e estar preparada para que adormeça a qualquer momento ou em qualquer lugar, bem aconchegado junto de si.
Por tudo isto, recuperar a vida social depois de ser mãe não deve ser encarado como algo urgente, nem deve esperar que tudo volte ao ponto de partida. Começar por um café de quarenta e cinco minutos ou um bom passeio pelo bairro com uma amiga pode ser um excelente programa. Pelo contrário, combinar algo demasiado cedo de manhã ou tentar prolongar o programa para além das oito da noite podem, nesta fase, ser consideradas atividades de risco.
É cansaço ou depressão pós-parto?
O elefante na sala quando falamos em recuperar a vida social depois de ser mãe é a conhecida depressão pós-parto. É importante saber distingui-la de uma certa apatia causada pela sobrecarga própria da fase que está a viver. Caso tenha dúvidas não deixe de consultar o seu médico.
Agitação e irritabilidade, ansiedade ou pânico, irritabilidade ou raiva, dificuldade em criar uma ligação com o bebé, problemas em dormir (mesmo quando o bebé dorme), sentimentos de desconexão, alterações significativas do apetite, dificuldade de concentração ou em tomar decisões, pensamentos de fazer mal a si própria ou ao bebé, sentimentos de culpa ou inutilidade, preocupação intensa com o bebé ou, pelo contrário, pouco interesse…
Estes são alguns dos sintomas da depressão pós-parto. Segundo os especialistas, é importante saber que estes podem manifestar-se de forma diferente em cada mulher. Em caso de dúvida, se a ideia de sair de casa a deixa tão angustiada que se sente bloqueada, é melhor falar com o seu médico para que possa avaliar a situação. Não tente passar por isto sozinha.
Conciliar a maternidade com a vida social: comece pelo mais fácil
Apesar de já ter visto mães com bebés de poucas semanas aconchegados no porta-bebés num parque de diversões, não tem de ser essa mãe. Cada mulher deve respeitar o seu próprio ritmo e, se já está farta de tantos conselhos sobre como manter uma vida social com um bebé, fique pelo menos com este: durante os primeiros meses, quanto menos complicada for a logística, melhor. Facilite a sua vida e procure optar por programas que possam adaptar-se aos horários do bebé.
Por exemplo, um café a meio da tarde perto de casa. Pode ser ao ar livre? Ainda melhor. Também pode dar um bom passeio, empurrando o carrinho até casa da sua mãe, caso viva perto. Procurar um parque bonito e sentar-se a conversar com outros pais enquanto respira ar puro pode proporcionar-lhe uma dose extra de relaxamento mental. Se preferir ficar em casa, uma videochamada enquanto o bebé dorme ou convidar dois ou três amigos e mandar vir comida também pode ser um excelente programa. Claro, desde que, no final, sejam eles a arrumar tudo.
Quando o seu médico lhe der autorização, procure alguma atividade de que goste e que se adapte à sua condição física. Pode ser desporto, mas também visitas guiadas, percursos por museus, workshops… Qualquer momento que a ajude a relaxar e lhe ofereça algum tempo para si, se possível, integrada num grupo de pessoas de quem goste, pode valer ouro durante este período em que, por vezes, as mulheres se sentem sozinhas.
As novas regras para fazer planos com os amigos e um bebé
Quer o seu bebé seja amamentado ou alimentado a biberão, não tente planear tudo ao minuto com base nos horários das mamadas. Ou seja, se vai deixar o bebé aos cuidados de alguém durante algum tempo, não tente encaixar nesse período um programa com horário rígido, porque, mesmo que na sua cabeça tudo faça sentido, o bebé terá depois os seus próprios planos. Um passeio é muito mais fácil de gerir do que uma ida ao cinema, por exemplo.
Tente organizar-se, peça toda a ajuda de que precisar e, acima de tudo, estabeleça as suas próprias regras. Se o bebé costuma estar mais tranquilo de manhã, esse será o seu horário social. Se à tarde fica mais irritável, talvez não seja o melhor momento para organizar um encontro com as suas amigas.
Certamente que as pessoas à volta compreendem que esta é uma fase um pouco caótica e que é preciso encará-la com alguma descontração. Sem dramas. Pode chegar ao encontro e, de repente, ter de sair a correr para dar de mamar, regressando 20 minutos depois à conversa como se nada tivesse acontecido. Lembre-se de que os seus amigos são a sua rede de apoio, algo verdadeiramente valioso durante esta etapa, e que nunca deve deixar de fortalecer as relações pessoais.
A conclusão é clara: pode ter menos tempo, menos energia e muito menos capacidade para improvisar. Mas isso não significa que não possa recuperar a vida social depois de ser mãe. Sem abdicar dos seus amigos ou dos seus passatempos, é fundamental recuperar todos aqueles momentos em que se lembra de que, além de mãe, continua a ser você mesma.