Porque é que o conforto também é beleza?
Porque uma mulher tranquila é sempre mais atraente. Move-se com liberdade, confiança e sente-se bem na sua própria pele. Tudo isto aumenta naturalmente o seu encanto, sobretudo quando já é consensual que o sentido de humor e uma perceção positiva de si própria também são sinónimos de beleza.
Sendo tudo isto verdade, também é verdade que ter autoconfiança não significa deixar de cuidar de si. O cuidado com que nos tratamos deve manter-se; o que muda é o objetivo. Já terá reparado: por volta dos 40 anos inicia-se uma fase em que a opinião que mais importa é a nossa, incluindo quando avaliamos a imagem que o espelho nos devolve.
Agradar aos outros passa para segundo plano e damos prioridade a respeitar o nosso corpo. E isto está longe de ser uma frivolidade. É o que defende a neurocientista Lisa Mosconi, diretora da Women’s Brain Initiative da Weill Cornell Medicine e autora do bestseller The Menopause Brain, que afirma que cuidar do corpo e respeitar as suas necessidades é uma estratégia de saúde cerebral muito distante de qualquer superficialidade.
Por isso, não é por acaso que, nesta fase da vida, palavras como descanso, regulação emocional ou autocuidado, mas sobretudo liberdade e conforto mental, surgem cada vez mais nas conversas sobre bem-estar feminino e beleza.
Como reforçar a autoconfiança depois dos 40
A maturidade tem esta vantagem: a opinião dos outros deixa de ter o peso que tinha. As alterações hormonais trazem consigo, entre muitas outras coisas, um convite para rever as regras mentais com que convivemos durante anos. O facto de, por volta dos 45 anos, muitas mulheres deixarem de dar tanta importância à opinião alheia poderá ser uma das agradáveis surpresas da menopausa. E, mais uma vez, há evidência científica que o sustenta.
Investigadoras na área das neurociências, como a já referida Lisa Mosconi, defendem que a diminuição dos estrogénios durante a transição para a menopausa, combinada com alterações noutros sistemas neuroquímicos e com fatores psicológicos e sociais, pode favorecer uma maior independência emocional.
Independência emocional significa, em muitos casos, deixar de viver em função do que os outros pensam de nós. Os estrogénios modulam circuitos cerebrais relacionados com a recompensa, a regulação emocional e a cognição social. Estes circuitos alteram-se durante a perimenopausa, o que pode modificar a forma como processamos as emoções e definimos as nossas prioridades. Muitas ginecologistas relatam nas redes sociais que as suas pacientes já não sentem a necessidade constante de agradar aos outros.
Além disso, como os estrogénios influenciam neurotransmissores como a dopamina e a serotonina, a sua diminuição pode explicar parte das alterações de humor, da motivação e da forma como lidamos com o stress. Pode também contribuir para uma reavaliação das prioridades pessoais. A partir da meia-idade aumenta a autenticidade e diminui a necessidade de aprovação externa. Este fenómeno poderá igualmente estar relacionado com fatores psicológicos, como a experiência de vida acumulada, uma identidade mais consolidada e uma menor necessidade de corresponder às expectativas sociais.
Bem-estar feminino na menopausa
Em suma, com uma menor necessidade de agradar aos outros e uma maior estabilidade pessoal, económica e familiar, este é o momento ideal para dar prioridade ao próprio bem-estar. Como? Canalizando a energia que antes era consumida por uma autoexigência permanente para a construção de hábitos que realmente nos tornam mais felizes e, consequentemente, mais atraentes. São hábitos bem conhecidos: dormir o suficiente; praticar exercício pelo bem-estar e não como castigo ou apenas por motivos estéticos; alimentar-se para ganhar energia e cuidar da microbiota; rodear-se de pessoas que transmitam tranquilidade e bem-estar; ou reservar tempo para atividades que proporcionem prazer, deixando de viver apenas em função da produtividade.
Em última análise, trata-se de investir na qualidade de vida. Porque os afrontamentos, as alterações do sono, as mudanças de humor ou a secura vaginal podem afetar o bem-estar feminino nesta fase, mas existem recursos para os enfrentar: desde o exercício de força e uma alimentação equilibrada até terapêuticas hormonais, quando indicadas por profissionais de saúde.
Existe uma frase atribuída a Coco Chanel que resume perfeitamente esta mudança de paradigma: «A beleza começa no momento em que decide ser você mesma.» Nem mais, nem menos. Talvez esta seja a maior revolução estética do nosso tempo: deixar de travar uma batalha constante contra a passagem do tempo e, ao mesmo tempo, abraçar a singularidade do nosso corpo, valorizando verdadeiramente o conforto de nos sentirmos bem connosco próprias.
Em suma, existe uma beleza invisível que vale a pena aprender a reconhecer quanto antes e que muitas vezes se revela quando ouvimos aqueles que nos querem bem e nos olham com carinho. Manifesta-se num olhar transparente ou numa gargalhada espontânea que não teme revelar uma ruga. Tudo isto envolvido por energia positiva, bons hábitos e uma vida social saudável… Cuidando daquilo que se vê, mas também do que está no interior, sem viver condicionada pelo julgamento dos outros. Porque poucas coisas são mais atraentes do que uma mulher que já não precisa de provar nada para se sentir suficiente.