Porque surge a flacidez abdominal?
Com os anos, a pele perde colagénio e elastina, duas proteínas fundamentais para manter a firmeza. A isto acresce o facto de os músculos abdominais também poderem perder tonicidade, especialmente após a gravidez, alterações bruscas de peso ou simplesmente devido ao sedentarismo.
As hormonas desempenham um papel essencial. Durante a pré-menopausa e a menopausa, a diminuição do estrogénio impacta diretamente na elasticidade da pele e na distribuição da gordura corporal, favorecendo a sua acumulação na zona abdominal.
Mas, para além das causas fisiológicas, existem também fatores emocionais e de estilo de vida que influenciam: o stress, o descanso irregular, a falta de atividade física ou uma alimentação pobre em nutrientes podem acentuar a flacidez na barriga.
Para além do espelho: mudar a conversa
Durante anos, as mensagens dirigidas às mulheres reforçaram a ideia de que devemos “combater” a flacidez ou “recuperar” aqueles corpos ideais tantas vezes idolatrados pelas revistas ou pela televisão. Contudo, existe outra forma de olhar para este processo: a partir do autocuidado e sem pressões.
Aceitar as mudanças do corpo não significa resignação, mas antes reconhecer que este merece atenção e respeito, mesmo quando não corresponde às expetativas externas. Procurar melhorar a firmeza abdominal pode ser um ato de autocuidado, desde que não parta da culpa ou da exigência, mas sim do desejo de nos sentirmos bem connosco próprias.
O que se pode fazer para melhorar a flacidez na barriga?
Sem necessidade de obsessões, existem estratégias muito simples que ajudam a fortalecer a zona abdominal e a melhorar a qualidade da pele.
- Exercício regular e suave: atividades como pilates, yoga ou caminhadas a bom ritmo fortalecem a musculatura profunda do abdómen. Não se trata de fazer abdominais a toda a hora, mas sim de integrar mais movimento no quotidiano.
- Hidratação e nutrição consciente: uma pele hidratada é uma pele mais elástica. Beber água, incluir gorduras saudáveis (como as do abacate, dos frutos secos ou do azeite) e consumir proteínas de qualidade ajuda a manter o tecido firme a partir do interior. Vale também a pena prestar atenção aos açúcares adicionados e alimentos ultraprocessados, procurando moderar o seu consumo, sobretudo por questões de saúde, mas praticando uma alimentação consciente e equilibrada, desfrutando igualmente dos momentos sociais sem remorsos.
- Massagens e cuidado da pele: as massagens com cremes reafirmantes ou óleos naturais ativam a circulação e melhoram o tónus cutâneo. Existem produtos formulados especificamente para zonas com tendência à flacidez, mas a melhoria resulta da constância; não é necessário gastar demasiado.
- Descanso e gestão do stress: dormir bem e reduzir o stress tem um impacto direto na saúde hormonal e na aparência da pele. Quando o corpo descansa, regenera-se. E quando a mente encontra calma, todo o organismo responde.
- Postura e consciência corporal: por vezes, uma pequena correção postural pode fazer com que o abdómen se veja e se sinta de forma diferente. Praticar respiração abdominal ou exercícios de pavimento pélvico também pode contribuir para o tónus geral da zona.
Flacidez na barriga: uma firmeza que também é emocional
A flacidez na barriga não se trata apenas com exercício e cremes. Muitas vezes, o que realmente necessita de firmeza é a relação connosco próprias. Aceitar que o corpo muda e aprender a olhá-lo com maior amabilidade pode ter efeitos muito mais duradouros do que qualquer tratamento estético ou dieta de curto prazo.
Isto não significa deixar de procurar melhorar, mas fazê-lo a partir de outra perspetiva. Existe um equilíbrio possível entre aceitar e cuidar, e importa aprender a sustentá-lo, motivando-nos ao mesmo tempo que cultivamos gratidão pelo que já possuímos.
Reservar tempo para compreender o que o corpo necessita, mover-se por prazer, alimentar-se melhor e criar espaço para o descanso é uma forma de reafirmação, em todos os sentidos. A barriga pode ter mudado, mas isso não apaga tudo o que esse corpo viveu, criou ou sustentou.
A conversa sobre a flacidez abdominal não tem de estar associada à vergonha ou à necessidade de uma mudança iminente. Pode ser uma oportunidade para nos reconectarmos connosco próprias, não como um projeto a corrigir, mas como um espaço a priorizar, cuidando mais de nós e sentindo-nos melhor com o passar dos anos.