Dizemos isto porque os dados o confirmam. A sociedade tende a considerar as pessoas mais velhas doze anos antes do que elas próprias se percecionam como tal. E o impacto é ainda maior nas mulheres: há mais idadismo do que nos homens em todos os domínios e 76% das mulheres reconhece sentir pressão social para eliminar os sinais do envelhecimento.
Use o seu próprio espelho
Dito isto, nas redes sociais deteta-se uma nova tendência: as mulheres começam a dizer basta. Para começar, retirando os filtros e tentando mudar a conversa. De apagar, disfarçar ou corrigir, passa-se a usufruir, agradecer e aceitar. Esta pequena revolução silenciosa baseia-se muito no novo conceito de beleza que coloca a saúde física e mental no centro e propõe uma ideia poderosa: nós somos o nosso próprio espelho. Não precisamos que nos vejam jovens para nos sentirmos jovens.
Esta base para uma nova autoestima feminina conduz a uma maior felicidade e segurança e, pelo caminho, incentiva-nos a amar as nossas rugas. Porque fazem parte da beleza natural – e isto não é um cliché. Quando se aprende a amar as rugas, aprende-se a ver outras coisas, como aceitar a textura real da pele, a sua história, as suas mudanças. As rugas deixam de ser um fracasso ou um lembrete da velhice, para serem vistas como o resultado lógico de estar viva, de ter rido, chorado, pensado e sentido.
A saúde como novo eixo da beleza
Durante anos, a indústria cosmética e a medicina estética viveram obcecadas em apagar qualquer vestígio da passagem do tempo. Hoje, porém, o grande desejo é ter uma pele de qualidade, e não apenas parecer dez anos mais jovem. A grande tendência em beleza para 2026 é, de facto, a medicina integrativa, que recorda – como dizia a Senhora Potts em A Bela e o Monstro – que a beleza está no interior. E não apenas num sentido metafórico, de que ser bom é uma prioridade, que também o é. É que, quando estamos melhor por dentro, isso nota-se por fora.
Nas consultas, analisam-se já fatores como o sono, a alimentação ou o estado geral de saúde antes de se proporem tratamentos corretivos. Esta visão devolve sensatez a um mundo saturado de promessas irreais e vem mesmo a propósito quando sabemos que cuidar de nós a nível físico e mental é o melhor investimento que podemos fazer para viver os cem anos que a ciência da longevidade promete – isso sim, com autonomia, força e vontade. Isto é especialmente importante e para ter em conta perante a segunda vida que começa quando os estrogénios diminuem.
Neste ponto, as rugas deixam de ser um drama ou, melhor dizendo, podemos começar a olhar para as rugas com outros olhos: as rugas são mapas do que foi vivido e, entre elas, podemos também distinguir aquelas que dizem bem com a nossa beleza e aquelas que queremos deixar para trás (ou, pelo menos, tentar prevenir).
Os especialistas em visagismo explicam que as rugas associadas à expressão de emoções positivas tendem a ser horizontais: na testa ou à volta dos olhos. São as rugas do riso, do espanto, da curiosidade perante a vida. Em contrapartida, as rugas verticais – no sobrolho ou à volta da boca – transmitem cansaço ou zanga e a sua origem está relacionada com fatores externos evitáveis, como a exposição excessiva ao sol ou uma alimentação deficiente.
Se estiver mais forte, terá uma pele melhor
Literalmente. E não porque o exercício físico e uma boa alimentação façam com que se sinta melhor e, por isso, se veja melhor. É porque a produção de colagénio e elastina também melhora com determinada forma de alimentação e com um tipo de exercício que, além disso, é o que mais convém às mulheres. Num fabuloso plot twist que ninguém viu chegar, acontece que aquilo que beneficia ossos e músculos na pré-menopausa é também um seguro de beleza cutânea.
Explicam-no dermatologistas como Ana Molina, que insiste em dois elementos-chave: por um lado, o que chama uma dieta “dermossaudável”, em que predominam as gorduras saudáveis – azeite virgem extra, abacate, frutos secos, peixe gordo – e as proteínas de qualidade – peixe, ovos, leguminosas. Para a especialista, “são essenciais para manter a estrutura da pele, o colagénio e a elastina”. Molina acrescenta um outro elemento, relacionado com o movimento. “O exercício de força, cada vez mais valorizado sobretudo para as mulheres, também estimula a produção de colagénio e melhora a firmeza e a textura da pele”, conclui.